terça-feira, 14 de junho de 2011

O CASO BRUNO

Bruno errou. Jovem, pouco mais de 18 anos, achou que o tráfico de drogas era algo para ganhar dinheiro fácil. Vem de boa família, estruturada, e sempre foi um bom filho. Respondeu ao processo e foi condenado ao regime fechado. Cumpriu boa parte da pena em Blumenau, e parte em São Pedro de Alcântara. 

Após o prazo de dois anos e alguns meses, fazia jus ao regime semi-aberto. Sempre que o visitei no presídio, ele me falava de seu arrependimento. Sentia-se envergonhado perante os pais e jamais deixou de dizer que depois daquele inferno não deixaria mais de andar na linha. 

Após inda e vindas processuais, o regime semi-aberto foi deferido em 18 de abril pela Vara de Execuções Penais de Florianópolis. Como tem emprego garantido em Blumenau, onde sua família reside, foi determinada a transferência com urgência. 

Oficiado ao DEAP, desde aquela data não se consegue a transferência. Para piorar, o atendimento aos advogados, para que possam pelo menos entender o que está acontecendo é péssimo. 

São Pedro de Alcântara joga a culpa no Presídio de Blumenau. O Presídio de Blumenau no DEAP, e o DEAP nos dois estabelecimentos. 

Em Blumenau, o diretor do presídio não atende aos advogados. Advogado tem que preencher uma ficha para adiantar o assunto! Um absurdo. Para quem não é do ramo, eu informo que qualquer juiz e desembargador, não só por cortesia, mas por dever de ofício, atende aos advogados sem hora marcada e sem adiantar qualquer assunto. 

Nesta semana, com toda pompa, circunstância e holofotes para a mídia, o Tribunal de Justiça realiza um mutirão carcerário. Aplausos e cerimônias. Somente isso. O que precisamos é de um juiz titular na Vara de Execuções Penais da Capital, Senhor Presidente do TJ. 

Definitivamente, o sistema penal está falido. Mesmo aqueles que querem se recuperar e demonstram isto não merecem nenhuma chance das autoridades. Como terão uma nova chance perante a sociedade? É lamentável. Continuo esperando uma resposta destas autoridades. Todos os dias em meu escritório, atendo um pai arrasado e uma mãe em lágrimas, sem ter mais o que dizer...Com a palavra, as autoridades constituídas. 

Carlo Giovanni Lapolli
Advogado


Publicado em 15/06/2011 no Santa: http://www.clicrbs.com.br/jsc/sc/impressa/4,182,3351939,17332

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