Nos últimos semestres da faculdade de Direito os alunos são obrigados a acompanhar algumas audiências e preencher um relatório circunstanciado de cada uma.
Lembro-me da corrida que fazíamos pelos corredores do fórum para localizar alguma audiência que nos faltava, principalmente instrução e julgamento, onde são ouvidas as partes e testemunhas. Torcíamos para não ter acordo, pois se as partes conciliassem não serviria para apresentar ao monitor de estágio.
Mas o que mais marcava era o mau humor dos juízes conosco, os acadêmicos. Éramos um estorvo!
Minha (grata) surpresa hoje foi em uma audiência de instrução e julgamento que advogava para o Autor. A ação trabalhista envolvia o reconhecimento de vínculo, um acidente de trabalho, invalidez, perícia, dano moral. A matéria era razoavelmente complexa.
Três acadêmicas presentes. O Juiz Oscar Krost, da 2a. Vara do Trabalho de Blumenau, antes de iniciar a audiência, explanou todos os pontos do processo para as alunas. Mostrou o cerne da controvérsia e discorreu todas as nuances do caso.
Ao propor a conciliação, fez questão que as acadêmicas acompanhassem a conversa reservada com cada parte sobre a proposta de acordo.
As partes conciliaram. Mas ainda assim, o magistrado explicou novamente o ato fundamentando as questões processuais pertinentes.
Quem dera eu tivesse tido esta oportunidade. Quem dera tivéssemos mais juízes interessados em explicar aos alunos de direito o procedimento que estão acompanhando. Parabéns ao juiz! Que sirva de exemplo a seus pares.
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